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LIDERANÇA SEM SEGREDOS

 

            “Líderes que agregam valor são aqueles que ajudam as pessoas a se sentirem poderosas”, James Belasco e Ralph Styer

 

 

            Antes de começar a trabalhar como consultor de carreiras executivas, uma constatação já me intrigava. Qualquer freqüentador (semi-assíduo) de happy hours, como eu, percebe que não há outro assunto de maior preferência, em nove entre dez mesas de barzinhos em início de noite, do que esse ser denominado chefe.

            Mesmo após muitas empresas terem investido pesadamente na tentativa de transformar chefes em líderes, por meio de MBA’s, contratação de mentores e coaches, e forte incentivo ou autodesenvolvimento das competências para o papel, continuam sendo eles o alvo central das principais críticas, reclamações e ironias, destiladas entre um copinho e outro.

            Ninguém duvida da vital importância e necessidade da liderança para qualquer grupo ou atividade. Mas por que é tão raro e parece tão difícil encontrar-se bons líderes reconhecidos por suas próprias equipes?

            Pretendo contribuir com a questão constando alguns mitos que envolvam a liderança e recordando alguns aspectos marcantes dos líderes, sejam clientes ou superiores meus, que fizeram diferença em minha vida profissional e pessoal.

            O primeiro mito: a ser derrubado é que liderar seja uma tarefa para super-homens ou “escolhidos”. Ao contrário. É preciso, antes de qualquer atributo, ser uma pessoa comum, que sabe de seus predicados e dificuldades. Com isso, entende o valor da complementaridade num grupo e consegue-se apoiar a melhoria de cada um da equipe, preocupando-se continuamente com seu próprio desenvolvimento.

            Em tese, todos temos potencial de liderança, assim como temos capacidade virtual para interpretar, expressar, solucionar, etc. A descoberta desse potencial, o grau de interesse em desenvolvê-lo e a busca de oportunidade para exercitá-lo, isto sim, fará diferença entre o que se tem e o que se aplica efetivamente e com eficácia.

            O desenvolvimento do papel de líder, assim como o de outros papéis, se dá, principalmente, em função de binômio interesse x exercício. Quantos operários são líderes de suas comunidades, sindicatos, igrejas e outros movimentos artísticos ou sociais?

            O segundo mito: líderes nascem feitos. Falso. A maior parte das capacidades e competências necessárias para líderes pode ser aprendida. É evidente que existem diferenças em termos de velocidade na aprendizagem, entretanto qualquer um de nós é capaz de adquirir habilidades e conhecimentos. Aprender a liderar é um processo tão humano quanto aprender a ser pai, mãe cônjuge ou amigo. Livros, teorias e estudos ajudam, mas a grande aprendizagem acontece durante a experiência prática, no real exercício do papel.

             Mito três: líderes são carismáticos. Essa não é uma afirmação totalmente falsa, entretanto o verdadeiro carisma é produto do respeito que alguém inspira e do quanto esta pessoa se torna “cara” (de alto valor) para outros. Carisma, é o resultado da liderança efetiva e não o contrário.

            A liderança existe somente na cúpula das organizações. Mais um mito. A autoridade e o poder de mandar é realmente proporcional ao nível hierárquico, mas existem inúmeros exemplos de liderança altamente respeitadas nas bases de qualquer pirâmide organizacional.

            Além disso, como o paradigma trazido pelo movimento da qualidade, de se trabalhar para o cliente e não mais para o chefe, necessariamente o gerenciamento torna-se mais participativo, descentralizado e exigente de posturas de liderança em cada unidade, em cada nível, em cada posto de trabalho.

            Finalmente é outro mito afirmar que cabe ao líder determinar, controlar, impulsionar, fazer acontecer. Liderar não é exercer o poder em si, mas é exercer um poder que outros outorgam. Alguém só é líder porque alguém o considera assim. Antes, e mais importante que determinar, controlar e fazer acontecer, é função do líder atrair para um objetivo comum, inspirar e criar expectativas realizáveis, monitorar, reconhecer e recompensar esforços e resultados.

            Liderar é encorajar outros à adesão, ao compromisso e ao trabalho conjunto.

            Liderar é atributo concedido por outros a alguém, como reconhecimento da força inspiradora despertada nestes, pela sua consistência e capacidade de aglutinação.

            Liderar é desenvolver senso de equipe ao mesmo tempo em que apóia o desenvolvimento da autonomia pessoal.

 

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